Perdição


Anônimo_Incógnito: Olá...
Ela: Oi.
Anônimo_Incógnito: Por acaso, você me viu por aí...?
Ela: Por acaso, não.
Anônimo_Incógnito: Hum...
Ela: Perdeu-se?
Anônimo_Incógnito: Ou escapei-me... Não sei muito bem como se dá isso...
Ela: E onde havia se encontrado pela última vez?
Anônimo_Incógnito: Não houve...
Ela: Nunca se encontrou?
Anônimo_Incógnito: Não...
Ela: Certeza?
Anônimo_Incógnito: Acho que me lembraria de alguém como eu...
Ela: Eu me lembro...
Anônimo_Incógnito: E como eu era...?
Ela: Perdido.
Anônimo_Incógnito: Então é desde sempre...
Ela: Mas por um bom motivo: procurar-se além do seu próprio umbigo.
Anônimo_Incógnito: Com o além sempre indo mais além...
Ela: Afinal, quem não se perde, encontra-se sempre o mesmo.
Anônimo_Incógnito: Suas palavras dão conforto a minha perdição... Quase um guia de como se perder...
Ela: Palavras... Um desajuste entre o que sinto e o que digo, e o percurso se desvia numa direção quase toda equivocada.
Anônimo_Incógnito: ...?
Ela: É que foi também através de palavras que nos desencontramos um do outro há cinco minutos.
Anônimo_Incógnito: Engraçado... Foi justamente há cinco minutos que me lembrei...
Ela: Que se lembrou?
Anônimo_Incógnito: Que estava perdido...
Ela: Deveríamos então procurar pelo que te fazia esquecer.
Anônimo_Incógnito: Sim, claro... Esquecer...
Ela: ...
Anônimo_Incógnito: Esquecer do quê...?
Ela: ...
Anônimo_Incógnito: Teu sorriso é tão bonito...
Ela: Acontece sempre que eu te encontro.
                                          
P.S.: Aconteço sempre que você me vê...