A última vida


Sujeito_em_cima_do_muro:
Tudo que eu tenho, de fato, na vida, é uma vida, que é esta vida, certo?

Anônimo_Incógnito: É, acho que isso é certo.
Sujeito_em_cima_do_muro: O que então eu temo perder quando hesito diante de uma paixão?
Anônimo_Incógnito: Algo que você não tem?
Sujeito_em_cima_do_muro: Exato!
Anônimo_Incógnito: Então...
Sujeito_em_cima_do_muro: Acho que sou muito apegado ao que não tenho. 
Anônimo_Incógnito: Inevitável. O que não temos nos rodeia a todo instante.
Sujeito_em_cima_do_muro: No entanto, a entrega a essa paixão ainda me parece um risco...
Anônimo_Incógnito: O sonho sempre se arrisca ao migrar à realidade... 
Sujeito_em_cima_do_muro: ... 
Anônimo_Incógnito: No mundo, são dois os tipos de coisas que não temos: o que já se sabe o gosto e o que ainda supomos o gosto.
Sujeito_em_cima_do_muro: Hum. 
Anônimo_Incógnito: É possível, pra você, viver somente supondo o gosto dessa paixão?
Sujeito_em_cima_do_muro: Não sei... 
Anônimo_Incógnito: Pois trate de saber! Urgentemente, desesperadamente, agora!
Sujeito_em_cima_do_muro: ?! 
Anônimo_Incógnito: Afinal, uma vida é tudo que, de fato, você tem...

P.S.: Viver no gosto do risco pra não se arriscar a uma vida sem gosto.